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Moradores fazem abaixo-assinado contra aeroporto em Pouso Alegre

A desapropriação de terrenos para a construção do aeroporto internacional de cargas na zona rural de Pouso Alegre (MG) tem causado preocupação entre moradores. Mais de 50 famílias terão que deixar suas casas. Algumas estão no local há mais de 70 anos vivendo apenas da agricultura. Moradores estão organizando um abaixo assinado contra o empreendimento.

“Corta muito o coração se a gente tiver que sair daqui. Porque a raiz da gente é aqui”, lamenta o aposentado José Pereira dos Reis, que há 74 anos mora na região, que abrange os bairros Curralinho e Fazendinha, junto com a esposa e os filhos.

Segundo o funcionário público Edson Fernandes Barbosa, nem todos os moradores que estão na área de desapropriação foram procurados pela Prefeitura de Pouso Alegre e que há dúvidas sobre como todo o processo deve correr.

Eles ainda temem serem prejudicados quando os imóveis foram adquiridos pelo município. Barbosa conta que no estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) o valor das desapropriações é estimado em R$ 205.874.576. Nas planilhas da prefeitura, a desapropriação é calculada em R$ 68.824.944,69.

“Não somos contra o aeroporto”, diz o morador. “Nós somos contra o local onde o aeroporto será construído porque o impacto ambiental e social é enorme”, avalia.

Prefeitura nega desinformação
Em nota, a assessoria de comunicação da prefeitura afirmou que os moradores da área onde o aeroporto será construído foram procurados e que o local já passou por avaliação. O órgão informou que os proprietários serão indenizados de acordo com o valor de mercado dos imóveis e que o processo de licitação do aeroporto será aberto em junho.

O aeroporto de cargas terá capacidade para receber aviões de grande porte e ocupará uma área com cerca de 5 milhões de metros quadrados. A construção será feita por meio de parceria público-privada (PPP). Em operação, deve gerar receitas superiores a R$ 5 bilhões e 3,5 mil vagas de emprego.

No entanto, o empreendimento já foi questionado pelo Ministério Público, que critica a falta de audiências públicas e estudos ambientais para expandir o perímetro urbano de Pouso Alegre. A ação foi negada pela Justiça sob a alegação de que a iniciativa já obteve aprovação junto à União Federal e pode ajudar no progresso da região.

‘Nós ficamos embaixo’, diz moradora
Para o mecânico Emerson Pereira Siqueira, as perdas dos moradores não têm sido consideradas. A região é rica em nascentes e lavouras de tomate e morango, das quais muitas famílias dependem. Além disso, há a ligação afetiva com o lugar. Ele mostra que nem mesmo a igrejinha, construída já 37 anos, vai ficar de pé.

“Há famílias que vão perder suas casas, sua fonte de renda e toda essa estrutura que foi construída”, aponta Siqueira.

Apoiadora do abaixo-assinado que as famílias começaram a organizar na tentativa de barrar o avanço das desapropriações, a dona de casa Maria Aparecida Pereira dos Reis garante que não vai desistir da vida que construiu na zona rural. “Se for passar o aeroporto, eles fazem uma pilastra bem forte e nós ficamos embaixo”, diz.

G1 de 19/05/2016 13h36 – Atualizado em 19/05/2016 15h13

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